Até pouco tempo atrás eu nadava no Botafogo. Desde que me demiti e também em forma de protesto contra o aumento das passagens de ônibus para R$ 2,75, eu caminhava da praia do Flamengo até a sede do clube, na Venceslau Brás. Fazia o trajeto em meia hora andando calmamente no sol de verão carioca.
Num dia desses, depois de nadar e enquanto passava pela via subterrânea em frente ao rio sul, dei de cara com um moleque de rua. Eu subia as escadas e ele descia comendo um pedaço de pão francês com manteiga talvez. O Sol brilhava atrás da sua cabeça no momento que nossos olhares se cruzaram com uma simpatia profunda. Eu dei bom dia e ele retribuiu. Rimos um para o outro e, em meio à uma imensa confusão de pessoas cegas pela rotina indo e vindo, o moleque abriu a boca suavemente revelando uma ausência de dentes e "quer um pedaço?"